quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Resolução do Problema "Could Not Find Java Runtime Enviroment SE" no RAIS 2013

Se ao clicar no atalho GDRais 2013 piscar uma tela preta e aparecer a segunte mensagem de erro: "Could Not Find Java Runtime Enviroment SE" mesmo você já tendo o plugin Java instalado, siga os passos a seguir. Antes de xingar o aplicativo Java e dizer que ele não presta, saiba que este problema ocorre pois os desenvolvedores crânios do MTE não conseguem fazer um aplicativo que encontre automaticamente o arquivo "Javaw.exe" no seu computador. Então temos que dar uma forcinha para eles:
A versão do Java que está funcionando comigo foi a 6 Update 45, mas acredito que também vai funcionar na mais atual 7 Update 51.
1 - Após confirmar que o Java realmente está instalado no seu computador, vá para a pasta onde ele está instalado. Se o seu computador for Windows 7, provavelmente vai ser: C:\Program Files (x86)\Java
2 - Entre em "Jre6" ou "Jre7" e depois na pasta "bin" . Nesta pasta procure o arquivo Javaw. Copie ele.
3 - Agora cole este arquivo na pasta "GDRais2013" que deve estar na pasta raiz "C:".
4 - Tente executar a RAIS pelo atalho criado.
Espero ter ajudado os colegas!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O Candidato

Um jovem andava pela rua num centro movimentado de uma capital a uma semana das eleições.


Quando um homem muito bem aparentado se aproxima com um largo sorriso e o cumprimenta.

- Boa tarde! – Diz o homem, retirando o chapéu e segurando com as duas mãos.

- Boa tarde! – Responde o jovem.

- Você já tem um candidato?

- O Jovem olha com desconfiaça para o homem, que de certa forma lhe parece familiar. - Na verdade eu já tenho sim, há muito tempo desde que, tenho o meu voto definido.

- Verdade? – Disse o homem, mostrando um grande interesse e colocando as mãos em um dos bolsos e retirando uma nota de cinquenta reais. - Mas garanto que eu serei melhor do que o candidato que você escolheu. E para provar isso, lhe ofereço essa bonificação em troca do seu voto garantido, e prometo que te ajudarei em muitas outras coisas para você e seus amigos quando eu estiver eleito.
       O homem estendeu a nota, que ficou no ar.
       - Desculpa moço, mas meu voto não está a venda.

- O homem pareceu surpreso, mas sem tirar o sorriso do rosto guardou as notas no bolso e tirou um bloco grosso com papel brilhoso de um outro bolso. – Você tem carro? Aposto que tem, pois bem aqui está um bloco inteiro com vale-combustível que me sobrou e eu ofereço a você todo ele para que você possa andar por muito tempo no seu carro, dê para os seus familiares, seus vizinhos, você poderá viajar para onde quiser, sem gastar um centavo de gasolina, que tal?

O homem olhou por alguns segundos o bloco que balançava na sua frente por aquele moço. Desviou o olhar encarou o homem e lhe disse:

- Já disse moço. Já tenho o meu candidato, não posso aceitar, obrigado!

- Ah é? - O homem começou a mostrar uma certa impaciência. E onde está o seu candidato? – O homem olhou em volta procurando, em tom sarcástico, ainda sorrindo - Por acaso ele te ofereceu alguma coisa? Aposto que ele nem se importa com você, aliás ele talvez nem deve saber o seu nome, deve estar preocupado demais cuidando em garantir votos de pessoas mais ricas e influentes do que você meu amigo. Se você aceitar minha proposta pelo menos vai ganhar alguma coisa, e dele o que você vai ganhar?
     O jovem não respondeu, mas parecia certo de sua decisão.
     - Tudo bem, vejo que você é um homem em quem se pode confiar. - Disse o homem. - Se eu ganhar a eleição te ofereço um cargo para que você trabalhe no meu partido. Já encontrei algumas pessoas tão confiáveis quanto você, mas ainda falta uma vaga. Me diga qual o salário que você recebe no seu emprego atual e te pagarei o dobro, aliás, o triplo do que você ganha. Que tal hein? Basta votar em mim.

O homem fez uma conta rápida de cabeça, coçou o pescoço, mas foi relutante:

- Não posso, vou ter que negar essa oferta. Como disse já tenho um candidato.

O Homem então pareceu se zangar e decidiu pegar pesado. Avistou um bar que ficava naquela mesma rua cheia de jovens e mulheres bonitas, bebendo e festejando.

- Está vendo aqueles jovens ali? Acabei de vir daquele bar, e saiba que todos eles confirmaram seu voto em mim, e prometi a eles que se eu for o candidato deles eles sempre terão aquela vida, muita diversão, festa, sem nenhuma preocupação, afinal de contas é pra isso que serve a vida é disso que “vocês” gostam. Não quer fazer parte deles? Diga-me o que mais lhe agrada? Com o que você se diverte, me diga eu farei com que qualquer desejo seu seja realizado, dinheiro? Diversão? Prazer? Vamos lá, é só aceitar a minha proposta.

- Eu confio no meu candidato ele me proporcionará algo melhor do que qualquer dessas coisas que você me promete.

O homem então perde a paciência e num grito pergunta ao jovem:

- Mas afinal quem é esse seu candidato? Quem é esse em quem você confia tanto? Quem é esse que não faz você trocá-lo por qualquer dinheiro ou prazer do mundo que eu possa te oferecer?

- Jesus Cristo! – Bradou o jovem. O homem a sua frente levou um susto e arregalou os olhos, incrédulo. – Ele é o meu Salvador. É ele que conhece o meu coração e de todas as pessoas desse mundo. Ele é insubstituível. Ele é o mais poderoso. ELE É O MEU CANDIDATO. Aquele que eu decidi seguir. E não há nada que você me ofereça que me faça trocá-lo por você... Satanás!

O Homem então arregalou os olhos, fechou os dentes com tanta força que quase os quebrou dentro da boca. Em seguida se recompôs, colocou o bloco de volta no bolso do paletó, abriu o mesmo sorriso sínico novamente, se aproximou bem perto do jovem, colocou seus lábios tão perto de sua orelha que quase encostou seu rosto no dele e começou a falar bem baixinho, para que apenas o jovem ouvisse.

     - Deixa eu te contar uma coisa. Você não pode se livrar de mim. Pode me negar, pode me ignorar, mas eu sempre estarei por perto. Enquanto você estiver nesse mundo eu estarei bem perto. Você está suscetível à mim. Se você se desviar um pouco para cá, ou para lá sabe que eu estarei ali, você sabe disso. E quanto ao seu... “Candidato”, diga a ele que essa “eleição” ainda não acabou. Há muitos "eleitores" por aí, prontos para se colocarem de joelhos à mim por um copo de bebida, uma noite de prostituição, por muito menos do que isso.

Então afastou o rosto do jovem, deu um último sorriso, se virou e saiu andando, parando mais adiante de um casal cumprimentando-os e tirando o chapéu.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Revistas na Internet

Eu confesso, sou viciado em revistas. É sério. Sou o tipo de pessoa que, quando vai ao dentista ou  ao barbeiro, assim que me sento para aguardar minha vez já me vejo com os olhos grudados numa edição de 10 anos atrás da CARAS ou da Marie Claire (é Marie Claire, o que é que tem?!). A maioria das pessoas gosta de ficar assistindo a TV de LCD que fica grudada na parede, mas sinceramente... TV eu assisto na internet oras. As revistas não, as revistas são algo único, que não se tem a qualquer momento em qualquer lugar. Eu encaro como uma oportunidade de entretenimento que deve ser aproveitada, e sincerimente a riqueza de conteúdo é muito maior.

É algo automático, inconsciente. E é estranho como por mais antiga que seja a edição, a quantidade de informação que você consegue reter desses livrinhos grandes, bonitos, brilhosos e cheios de desenhos e fotos é surpreendente.

Percebi que isso já se tornou uma fixação para mim, a ponto de ficar decepcionado por ser chamado logo para ser atendido e deixar de ler sobre "As 12 lições de uma pessoa altamente eficiente " ou a lista dos "Smartphones maiores, mais finos e mais leves", é coisa de me deixar deprimido mesmo.

E não adianta, por mais que digam que a internet tem muito mais conteúdo e que você pode pesquisar sobre qualquer assunto que quiser, não é a mesma coisa. As revistas são pensadas da Capa até as propagandas estampadas na capa de trás.

E se você compartlha dessa estranha obsessão como eu deve conhecer a sensação de pegar aquela revista novinha com cheiro de papel novo, tirar da embalagem de plástico e ler no sofá ou numa cadeira de área - daquelas de fio de plastico coloridas sabe?

Mas infelizmente não é sempre que dispomos de tempo nem de grana para comprar ou assinar uma dessas revistas.

Pensando nisso comecei a pesquisar na internet as revistas que estão disponíveis para serem lidas.
Como meu blog possui uma política de antipirataria estabelecida... por mim mesmo aviso que não há nenhum link para um arquivo escaneado ou site de compartilhamento ilegal que tenha a revista, mas sim maneiras de ler os artigos que são dispenibilizados legalmente pela própria editora através do site.
Algumas podem ser visuliazadas página por página como são publicadas, outras disponibilizam apenas as matérias numa página comum com fotos. Segue abaixo uma relação das revistas com link que você pode ler gratuitamente pela internet e uma breve descrição sobre elas.

Veja: Todos conhecem a revista Veja, mas garanto que poucos conheçam o Acervo Digital Veja. Realizado em parceria com o Banco Bradesco, essa é a iniciativa mais completa que eu encontrei. A editora disponibiliza um acervo contendo todas as revistas publicadas na íntegra (com propagandas e tudo), desde a edição nº 1 lançada em 11 de setembro de 1968, com exceção da mais recente (É justo). Nesse acervo, que abre uma espécie de visualizador na tela do navegador você pode escolher a edição e folhear página por página, pesquisar verbetes ou ir direto para a matéria clicando no índice. As revistas são enfileiradas como numa linha do tempo, o que lhe dá a sensação de estar viajando ao passado, recordando os pricipais fatos que aconteceram no mundo de lá para cá. Vale a pena conferir. 

info: Para os aficionados em tecnologia e equipamentos de informática. Também abre um visualizador na tela para você ir folheando e aproximando as páginas. A Revista disponibiliza todas as suas publicações desde 2003 além da edição especial Steve Jobs e da primeira edição, quando a revista ainda se chamava "Informática".

ALFA: Revista mensal considerada a melhor revista masculina do Brasil feita com muita inteligência e estilo. É uma das minhas preferidas. Não é possível visualizar a revista completa como a Veja, mas pode-se ler todos os artigos de todas as edições publicadas desde setembro de 2010 - exceto a mais recente lógico. Para ler, basta entrar no link acima e  descer a tela, selecionar a edição e clicar nas matérias.

Viagem: Revista especializada em ... Viagens lógico. É possível ler as matérias desde as edições publicadas a partir de janeiro de 2010.

Época: Revista semanal de notícias e variedades (Tipo Veja). Também só é possível ler as matérias. Apesar de aparecer um cadeado ao lado das matérias - que indica que são exclusivas para assinantes, - você consegue lê-las normalmente, com exceção da edição da semana. Estão disponíveis as edições desde março de 2003.

Superinteressante: A revista dos curiosos. Acervo com as matérias e reportagens publicadas desde a edição 000 de setembro de 1987. Porém nem tudo está disponível, no final da lista de reportagens de cada edição há as matérias que só podem ser lidas na revista paga, versão impressa ou digital.

PLAYBOY: Conhecida antigamente como a mais famosa revista de "mulher pelada", a Playboy há muito já deixou esse título e é tida como uma publicação artística com muito conteúdo e assuntos da atualidade, entrevistas, etc. Infelizmente há pouco deste conteúdo disponibilizado no site, após clicar na edição desejada, que começa a partir de janeiro de 2010, aparece a lista de matérias e só é possível ler as que são "clicáveis" que são tipo apenas 20% da edição. Por conta disso fiquei em dúvida se entraria ou não na lista... Mas cá entre nós... é a PLAYBOY né.

CASA e jardim: Revista especializada em arquitetura, decoração e paisagismo. Com muitas fotos e dicas sobre decoração de casas. Possui as matérias das edições desde 2009, porém mais da metade das matérias estão bloqueadas, aquelas com um papel na frente do título.

Boa leitura.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Do outro lado do rio

          Noite dessas, ao me preparar para dormir, deitei-me na cama e liguei o rádio do celular a fim de ouvir um pouco de música para dar sono, como faço às vezes. Com tantas músicas repetidas e grudentas tocando já estava prestes a desligar, quando começou a tocar uma melodia que me pareceu bem familiar, os primeiros acordes de violão que embalavam uma canção suave, seguida por aquela voz calma e quase sussurrada cantada num castelhano latino-americano. Logo identifiquei, era uma música chamada “Al Otro Lado Del Río” de um compositor uruguaio chamado Jorge Drexler. Talvez você, leitor, nunca tenha ouvido falar deste compositor e muito menos ouvido esta música - ou pelo menos não se lembre. Mas o que pouca gente conhece mesmo é a história de discriminação seguida de uma reviravolta triunfal que houve por detrás dela. História que já tem aguns anos, mas que está gravada na minha memória como se tivesse ocorrido semana passada. Para aqueles que se lembram, convido-os a compartilharem desta lembrança, e para aqueles que não sabem da história vou contá-la a vocês.
Aconteceu que esta canção foi composta por Drexler para a trilha sonora do filme Diários de Motocicleta a pedido do diretor do filme, o brasileiro Walter Salles. Diários de Motocicleta narra a viagem do jovem Ernesto “Che” Guevara junto à um amigo pela América do Sul antes de Che se tornar o lendário revolucionário que foi. O filme fez sucesso entre os críticos de Hollywood e sua canção tema foi indicada ao Oscar de melhor canção junto à outras quatro músicas de outras películas do mesmo ano.
Foi uma festa para os envolvidos na produção do filme e principalmente para o compositor Jorge Drexler, que viu sua arte ser reconhecida a nível mundial e mal podia esperar para cantar sua música na festa do Oscar daquele ano, pois como ocorre todo ano, as músicas concorrentes ao prêmio são cantadas ao vivo para o público durante a premiação. Porém a Alegria logo se tornou decepção, pois os organizadores do evento haviam informado que Drexler não iria interpretar sua canção por não ser “um rosto conhecido” nos Estados Unidos, onde há a maior repercussão do Oscar. Ao invés dele, quem iria apresentar a música “Al Otro Lado Del Río” durante a premiação seria o conhecido ator espanhol Antônio Banderas e o famoso guitarrista mexicano-americano Carlos Santana.
Houve uma grande polêmica no meio cinematográfico, e eu acompanhava, semanas antes da premiação, as reportagens nos jornais que tratavam o caso como “O cantor vetado pelo Oscar”. A história gerou muito protesto nos dias que antecederam a premiação, muitos atores e representantes do meio artístico protestaram contra a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, entre eles o ator veterano Robert Redford, produtor de Diários de Motocicleta, que enviou um manifesto à organização para que o compositor uruguaio cantasse sua canção, pois essa era a única coisa que ele queria. O ator Gael Garcia Bernal, que interpretou “Che” no longa, disse que não compareceria à premiação em protesto contra a decisão. Mas os organizadores do Oscar foram inflexíveis, se limitando a permitirem que Drexler fosse à premiação e recebesse o prêmio “caso” a canção vencesse.
Na noite da festa do Oscar, lá estavam todos os artistas e famosos de Hollywood em seus impecáveis trajes de gala. Lá estavam Antônio Banderas e Carlos Santana interpretando uma versão Rock-tourada-desastrosa de Otro Lado Del Río. Lá estava também Jorge Drexler em seu assento, estava quieto, acanhado e com a mágoa transparente em seus olhos, como de um garoto que foi proibido de abrir seu presente na noite de Natal e ainda teve que assistir a outra pessoa rasgando o embrulho e recebendo os aplausos, se limitando a dar alguns sorrisos acanhados para a camera e engolindo em seco. E lá estava eu, no sofá de casa, assistindo tudo ao vivo, compartilhando a mesma mágoa e angústia de Drexler. Ele estava desapontado pois fora proibido de cantar sua canção na festa mais importante do cinema e que possivelmente não teria outra chance como aquela na vida. Estava claro ver isso em seus olhos.
Então chegou o momento da premiação de melhor canção original, o cantor Prince foi o encarregado de anunciar o vencedor. Primeiramente citou os indicados para o prêmio, todos fortes concorrentes, e então anunciou o vencedor daquele ano. O Oscar iria para... “Jorge Drexler, por Otro Lado Del Río”. Ninguém acreditou. Foi uma explosão de aplausos e gritos. Em alguns segundos um agora feliz-da-vida Drexler já estava subindo ao palco com um sorriso de orelha a orelha recebendo a estatueta dourada das mãos de Prince. Ao receber o prêmio, fez uma reverência e beijou a mão do astro pop que se retirou e deixou o púlpito apenas para o vencedor do Oscar. Os aplausos diminuíram até fazer um silêncio absoluto e todos esperavam para ouvir o que ele tinha a dizer. Drexler fez a única coisa que ele ansiava fazer aquela noite, algo mais importante para ele do que receber o prêmio, algo que eu nunca irei esquecer na minha vida inteira. Ele se curvou até o microfone e começou a cantar: Clavo mi remo en el agua, Llevo tu remo en el mío, Creo que he visto una luz al otro lado del río/El día le irá pudiendo poco a poco al frío, Creo que he visto una luz al otro lado del río” em siguida apenas disse “tchau” agradeceu e retornou de cabeça erguida para o seu assento. Naquele momento a estatueta se tornou um mero detalhe em suas mãos, pois o que importava para ele era ter cantado, pelo menos um trecho, de sua canção na festa do Oscar e ser ouvido por milhões de pessoas ao redor do mundo. Gostaria de ter visto as caras dos diretores da academia que vetaram sua apresentação e quase tiraram dele uma das maiores emoções que teria na vida. Jorge Drexler foi o grande vencedor daquela noite.
Daqui há muitos anos, quando eu for velho, e por um acaso ouvir essa canção tocando no rádio, sempre me lembrarei da vez em que um homem foi proibido pelos poderosos de representar sua arte, de fazer aquilo que ele mais amava fazer na vida. Me lembrarei que ele deu a volta por cima, recebeu o reconhecimento merecido e, contrariando todas as apostas, conseguiu representar sua arte para todos aqueles que pudessem apreciá-la. Essa história serviu para mostrar que os discriminados e oprimidos também têm sua chance de vitória, de glória, de dar a volta por cima. Naquela noite quem cantou por último, cantou muito melhor. Essa história serve de esperança para muitos. Como diz num trecho da canção: “Nem tudo está perdido”. A partir daquele dia também sempre passei a ver uma luz do outro lado do rio.

O Rondante

         Ele, “casado de novo”, necessitava trabalhar numa firma mais sólida, foi na Estrada de Ferro Sorocabana que arranjou um emprego. Pertencia à Turma 33, ali entre a Chave Madeiral e o município de Caiuá. Para ganhar um dinheirinho a mais, realizava diariamente dentro do trecho de aproximadamente quatro quilômetros, do qual pertencia, uma ronda para verificação dos trilhos. Saía de casa meia hora antes da meia-noite, solitário, tinha por companheiro um cachorro vira-lata e uma lanterna que só clareava apenas um raio de dois metros à sua volta. Essa lanterna, alimentada por querosene, permitia estabelecer um sinal entre ele e o maquinista do “misto” que passava por volta da zero hora. Um vidro verde baixado na frente da luz do farolete significava que o maquinista deveria ser cauteloso ao trafegar os próximos quilômetros, pois aquele observador detectara alguma irregularidade na linha, como um animal que poderia estar caminhando sobre os trilhos, talvez.
         Quando o vidro baixado era vermelho necessitava a imediata parada da composição, pois o ronda avistara perigo iminente que poderia resultar no descarrilamento do trem. Não estando baixados os vidros coloridos, significava que a situação era de normalidade. O mesmo sistema de cores para sinalização durante o dia era feito com pequenas bandeirolas; verde e vermelha.
         Como era uma época na qual as mulas-sem-cabeça e os lobisomens “atuavam” naquelas pragas, foram muitas as situações horripilantes durante o período em que ele realizou aquele serviço.
Eram muitas as histórias de assombração naquele trecho e caminhar sobre a linha do trem naquele horário não era um bom negócio, não compensava os cinco cruzeiros ganhos por patrulha realizada. Dentre as inúmeras ocorrências, tinha aquela da mulher que era vista na beira da linha segurando um bebê no colo. Para esta ao menos havia uma explicação.
         Falavam que o velho cearense Leôncio, um dos raros parteiros do sexo masculino daqueles confins era quem “pegava todas as crianças” que vinham ao mundo. Em seus incontáveis trabalhos de parto, por
infelicidade na prática de tal mister, em virtude de complicações no procedimento, deixou uma mulher e seu bebê morrerem. Seria esta que ficava beirando a linha exibindo seu rebento aos maquinistas nas sinistras madrugadas? Também em virtude deste triste fato, nossa vítima, o amigo Zé Barbosa e outros, contavam a todos que era comum escutarem naquele trecho o choro desesperador de uma criança. Nada de concreto era constatado. Dizem que os animais vêem com mais facilidade as assombrações, as coisas do outro mundo. O nosso personagem, em meio à escuridão que por si só arrepiava, ouvia vozes humanas que pareciam de bugres (índios muito selvagens e considerados não cristãos pelos europeus), muito comuns naquela época. Recebia também o pobre passeante, chuva de pedras que inexplicavelmente caiam em seu redor.
         Ainda ele, o herói notívago, certa vez empunhando a lanterna sinalizadora em seu martírio diário, caminhava pelos trilhos quando seu cachorro estagnou-se, iniciando um latido sem fim. A direção que
mirava aquele fiel amigo era uma só, alguns metros adiante do sentido em que iam. Certamente deparou-se com algo que nunca vira antes. Por nada deste mundo seguiu em frente, apenas o latido desesperador. O
serviço não podia perecer e o ronda, que arrepiara–se, dos fios de cabelo dos dedos do pé aos cabelos da cabeça, teve que encarar a realidade, continuou sozinho naquele dia. Nos dias que se seguiram teve a incondicional companhia da esposa. Esta, escondia-se para não ser vista pelos tripulantes e passageiros do trem. Não ficaria bem perante os colegas de outros trechos saberem que aquele necessitava do apoio feminino para amenizar o seu fadário. Largou tudo e voltou a trabalhar com o Seu Augusto Alves no ramo de serraria. Eram os idos de 1953, auge da extração e escoamento de madeiras em nossa região.

Este texto foi escrito pelo meu pai Ari Florentino da Silva que é Presidente da Academia Venceslauense de Letras e Membro da Associação dos Novos Escritores do MS

sábado, 26 de novembro de 2011

Tinha uma pedra no meio do caminho

          Eram 8:40 da manhã. Estava voltando do centro, indo para o trabalho de moto, acabava de entrar na última avenida antes de chegar ao meu destino. Eu pensava no horário de almoço, momento em que eu levaria os documentos à imobiliária, exatamente ao meio-dia. Já estava tudo planejado na minha cabeça, eu entregaria à funcionária, ela iria conferir e assinar, me entregaria as chaves do apartamento e eu sairía de lá assoviando e sorrindo por tudo sair como eu planejei. E estava tudo programado, como um relógio. "Ah, seres humanos ignorantes que 'pensam' que tem o controle de alguma coisa em suas vidas insignificantes. Quando vocês irão aprender?", seria o meu pensamento no dia seguinte, mas neste instante, eu estava cantarolando alguma música alegre no meu subconsciente.
          Me vi neste momento logo atrás de um ônibus e já me preparava para ultrapassá-lo. Olhei pelo retrovisor, a passagem da esquerda estava livre, só havia um carro escuro há alguns metros atrás de mim cujo motorista provavelmente aguardava que eu também ultrapassasse o ônibus. Dei seta para a esquerda e começava a iniciar a ultrapassagem. Foi então que ela surgiu, e mudou tudo!
          Não me lembro se estava parada ou se veio rolando. Provavelmente estava parada. Imóvel. Esperando por mim. Lembro de ter arregalado os olhos e reparado bem nela. De como ela era do tamanho de um tênis do tamanho 45, de como sua forma lembrava ligeiramente a forma de uma pirâmide, com uma ponta voltada para o céu. De tentar estimar o peso dela, e que não consegui estimar. Mas tive tempo o bastante para imaginar que na "briga" entre ela e o pneu da minha moto, a moto não teria a menor chance. E um pensamento muito triste cruzou a minha mente logo após essa constatação: "Então é isso Deus? É aqui que acaba? Desse jeito?" Não houve resposta. "Eu imaginei que pudesse ser assim, mas não agora. Tudo bem então." Tudo isso me passou pela cabeça no único segundo que durou entre ela surgir surpreendentemente debaixo daquele ônibus e tocar em cheio a roda dianteira da minha moto. Neste momento, em que ela encostou na roda da moto, foi como se o mundo inteiro parasse pra me olhar, podia sentir todas as pessoas voltando os olhos para aquela cena,  boquiabertos, pra ver o que iria me acontecer. Mas então percebi que não foi o mundo que parou. Foi a moto. Uma parada brusca a quase 70 km por hora. Dá para imaginar o que acontece não é? Exatamente. Fui lançado de cima da moto direto ao asfalto. Não sei dizer ao certo qual parte do meu corpo tocou primeiro o chão. Mas pela avaliação que fiz mais tarde, posso apostar que tenha sido o meu joelho direito, e em seguida  meu braço e cotovelo direito, depois ombros, costas e quadril.
          Lembro de ter gritado enquanto rolava no chão. NÃO, NÃO, NÃO! Foi como gritei. E 10 segundos depois eu estava estirado perto da guia direita da via. O primeiro sentimento que tive, foi o de raiva. Raiva da pedra, do ônibus, de mim mesmo. Estirado ali, já com as primeiras pontadas de dor, tive força o suficiente pra esmurrar o chão e gritar enraivecido, mais de uma vez: "Que droga!" Então virei de costas, com muita dor e olhei para o céu, estava azul, sem nenhuma nuvem. E o céu olhou de volta para mim, com pena. Minha respiração estava ofegante e eu tentava conter os gemidos de dor.
Minhas roupas haviam rasgado em várias partes, parecia que um cachorro pitbull havia me pego para brincar e dado a volta comigo pelo quarteirão me arrastando antes de me deixar ali.
         - Amigo, você está bem? - O motorista do carro logo atrás, se ajoelhou próximo a mim e me deu o primeiro atendimento - Não se mexe muito, fique assim.
        Eu balencei a cabeça afirmativamente e dizia:
         - Tudo bem. 
        Mas eu não dizia para ele, eu dizia para mim mesmo. Era a minha voz, minha boca se movendo, mas não era eu. Sei disso porque a próxima frase que saiu, com muito custo foi: "Tá tudo bem Lucas, já passou. Tá tudo bem." Eu assenti com a cabeça e uma lágrima escorreu pelos meus olhos.
        A hospitalidade humana é um instinto incrível, quando me dei conta estava cercado de rostos que nunca havia visto antes. Mas que pararam para me ajudar, se atrasaram para seus trabalhos, perderam minutos preciosos do seu dia para me ajudar. Lembro de um jovem magro e moreno que se ofereceu para ligar ao meu chefe avisando o que tinha ocorrido. De uma jovem de cabelos compridos que ficou  na minha frente, com um rosto de preocupação e parecia rezar por mim. De um rapaz de cavanhaque que retirou minha moto do meio da via e eu sabia que conhecia de algum lugar. E um outro de camisa branca e óculos escuros que minutos depois daria uma aentrevista ao jornal local relatando o ocorrido, era ele que mais falava comigo.
        - Fica calmo amigão. O resgate já deve estar chegando.
       Ouvi um comentário de duas pessoas logo atrás de mim, um deles falou:
       - Foi naquela pedrona ali que ele bateu, apareceu do nada.
       A pedra! Me lembrei da pedra. Tentei olhar para trás pra ver se eu a enxergava. Ao invés disso me deparei com a minha moto, já em pé, com as lanternas quebradas e a frente toda amassada, ela parecia me olhar com tristeza.
         - Ah não. - foi o que eu disse ao ver a minha amiga "machucada" daquele jeito.
         Pedi para que alguém pegasse a pedra pra mim. Não sei ao certo por que fiz isso, só sei que eu queria ela comigo. O rapaz de cavanhaque logo se dispôs e recolheu ela, colocando na guia perto de mim. Mais uma vez pude dar uma olhada bem de perto nela. Concerteza ela parecia ter levado a melhor entre nós três. Poucos minutos depois o resgate chegou, fui atendido prontamente pelos bombeiros que realizaram a primeira avaliação e constataram que apesar da pancada eu não havia quebrado nenhum osso, mas que o meu joelho etava bem feio. Meu chefe apareceu no mesmo instante, ficando com os meus pertences e com a moto. E então fui encaminhado para o posto de saúde mais próximo.
         Esperando pelo atendimento no pronto-socorro, entre lágrimas e sorrisos, comecei a lembrar de um filme do diretor Danny Boyle que havia assistido há pouco tempo. Chama-se 127 Horas e retrata um acidente ocorrido com o jovem americano Aaron Rolstom, que praticava montanhismo sozinho numa região desértica de Utah, e ao descer por uma fenda tem seu braço prensado por uma rocha, deixando ele preso lá sozinho sem nenhuma ajuda por perto e sem nenhuma esperança de ser resgatado, pois niguém sabia onde ele estava. O que essa história teria a ver comigo? Uma rocha. Uma pedra! Reconheço que a pedra de Aaron era 30 vezes maior do que a minha e que as consequencias do acidente dele foram infinitamente piores do que os meus ralados e contusões. Mas me lembrei que em certo momento do filme, após cinco dias preso àquela rocha, Aaron começa a repensar sua vida inteira e percebe que todas as suas ações contribuiram para ele chegar àquele lugar, e que assim deveria ter sido. Faço dele minhas palavras, que transcrevi da que pra mim, representa a principal cena do fime: "Agora tudo faz sentido. (...) Esta pedra esperou por mim, a minha vida toda. A vida dela toda. (..) Ela estava esperando pra vir bem aqui. E eu caminhei em direção a ela o tempo todo."
         É estranho você pensar que um acidente pode fazer bem a você. Afinal de contas, passei a andar com dificuldade e não consegui dobrar o joelho por vários dias. Mas foi exatamente o que me aconteceu. Os felizes acontecimentos que ocorreram após o acidente, não teriam como ter acontecido se não fosse por aquela pedra. Aquela pedra fez toda a diferença na minha vida. Só eu sei disso.
         Já em casa, me recuparando, cuidando dos meu ferimentos me peguei começando a rir, e o riso se transformou em gargalhada. E essa gargalhada fez todo sentido quando olhei para o meu joelho, e relembrando tudo o que havia passado durante o dia falei sorrindo: "Tinha uma pedra no meio do caminho!"
        Quando estava no ensino médio, estudei sobre o modernismo e os poetas dos movimentos modernista e antropofágico na aula de literatura brasileia. Fiz um trabalho sobre o movimento antropofágico, dos quais fazia parte Carlos Drummond de Andrade, lembro-me desta poesia, e de rir com os meus amigos dela, pois não fazia a menor idéia do que ela significava, não fazia o menor sentido, para nós eram apenas palavras unidas aleatoriamente por um cara muito perturbado que acreditava ser um intelectual. Descobri que a própria crítica da época atacou Drummond por não entenderem e se recusarem a aceitar que "aquilo" fosse um poema. Peço desculpas hoje ao Sr. Drummond, esteja onde ele estive, e posso afirmar-lhe que a partir de agora esse poema faz todo o sentido pra mim, e sempre fará pois eu também nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra.

"No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra 

tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra".
                                     Carlos Drummond de Andrade

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Como baixar videos do YouTube no Windows 7 usando apenas o WinRar

Como prometido, encontrei uma maneira quase simples de copiar os vídeos do YouTube no Windows 7 utilizando o menor número de passos possíveis sem ter que instalar softwares adicionais na máquina.
Como eu expliquei no post anterior, no Windows 7 os vídeos assistidos na web não ficam armazenados do mesmo modo que no Windows XP, pois quando você entra na pasta Temporary internet Files os arquivos com o nome videplayback simplesmente não aparecem. Após pesquisar um tempo por soluções simples eu encontrei essa que parece ser a mais prática. Só é necessário ter o WinRar instalado na máquina, o que a maioria das pessoas já possui. Então vamos aos passos:

1 - Vá a página do vídeo e deixe carregar por completo.
2 - Execute o WinRar.
3 - A interface clássica do WinRar se parece muito com a do Explorer, na qual você pode navegar pelas pastas do computador ou digitar um caminho na barra de endereço. Vá para a pasta C:\Users\current user\AppData\Local\Microsoft\Windows\Temporary Internet Files\Low\Content.IE5
Repare que a pasta Current User deve ter um nome diferente no seu computador, por isso é recomendável ir clicando em pasta por pasta na primeira vez, depois esse caminho já fica armazenado para as próximas vezes.
4 - Na pasta "Content.IE5" vão aparecer algumas pastas com nomes formados por combinações de oito letras e números. O arquivo de vídeo que você acba de carregar deve estar em uma delas. Para saber qual é basta clicar na coluna "Modificado" para ordenar os mais recentes.
5 - Clique nas pastas e procure pelos arquivos que começam com o nome videoplayback. (Se você não entrou em muitos vídeos nesse dia, deve haver apenas um.)
6 - Para conferir se é o vídeo certo, clique duas vez para abrir. Na janela que aparecer na tela clique em "Abrir". Selecione o programa para abrir o arquivo. (Eu recomendo usar o Media Player Classic). Clique mais uma vez para abrir.
7 - Para copiar o vídeo basta arrastar o arquivo para qualquer pasta do computador. Após isso, renomeie-o, lembrando de colocar a extensão .flv no final do nome. O ícone mudará, então clique duas vez para testar.

Vou ser sincero e reconhecer que, diferente do macete no Windows XP, não descobri esse método sozinho. Encontrei neste fórum de perguntas e respostas da microsoft escrito em inglês,  o qual possui um link para um vídeo do YouTube que mostra o processo completo, para quem ainda tiver dificuldade.

Então é isso pessoal, por favor, não deixem de comentar qual foi a utilidade do post para vocês e deixar aí suas críticas e sugestões para novos posts.
Até mais. Um abraço!